ORÇABIM E OS CRITÉRIOS QUANTITATIVOS DO SINAPI – PAREDES DE ALVENARIA

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Dando continuidade à nossa série de artigos sobre a utilização prática do trio de ferramentas Orçafascio, OrçaBIM e Revit visando a orçamentação dos modelos BIM, vamos hoje conversar sobre um questionamento que surgiu em nosso grupo de usuários dos programas, sobre os critérios para levantamentos quantitativos do SINAPI, referentes às paredes de alvenaria.

MATERIAL TÉCNICO DISPONIBILIZADO PELO SINAPI

Primeiro gostaríamos de aqui deixar registrado a excelente qualidade do material técnico disponibilizado pelo SINAPI.

Um resumo das publicações, indexadas com hiperlinks, poderá ser encontrado no seguinte endereço WEB (acesso em 22/01/2020), essencial para quem trabalha com orçamentos e planejamentos de obras:

A QUESTÃO DA MEDIÇÃO DE QUANTITATIVOS PARA ALVENARIAS PELOS CRITÉRIOS DO SINAPI:

Os Cadernos Técnicos do SINAPI sugerem a separação dos quantitativos de alvenarias (de várias tipologias e grupos de insumos diferentes) em 4 (quatro) composições distintas para cada grupo, baseadas no fato das paredes possuírem ou não vãos e se tais paredes apresentam áreas líquidas maiores ou menores ou iguais a 6 m². O quadro abaixo foi retirado do Caderno Técnico de Composições Representativas do Serviço de Alvenaria de Vedação – Lote 1 do SINAPI (pág.25):

medição de quantitativos
figura 1 – Um dos grupos de composições representativas do serviço de alvenaria de vedação (SINAPI).

A questão que surgiu em nosso grupo de usuários do OrçaBIM foi a seguinte: qual o critério para se identificar uma parede, contínua, para podermos estabelecer sua área e verificar se possui ou não vãos e assim classificá-la pelos critérios do SINAPI (a classificação é necessária pois os custos das composições são, evidentemente, diferentes).

Encontramos, em uma das publicações do SINAPI, o seguinte, conforme Figura 2:

composições representativas
Figura 2 – Descrição dos critérios para as composições de alvenaria – Cadernos Técnicos do SINAPI.  

No entanto, em outra publicação encontramos a seguinte orientação:

caixa
Figura 3 – Critérios para alvenarias pela publicação do SINAPI Metodologias e Conceitos.  

Reparem que na Figura 3, a parede amarela do fundo abrange dois ambientes, opondo-se ao critério da publicação da Figura 2, que indica a separação por ambientes. Na verdade, esta última publicação sugere que o critério seja aplicado por unidade habitacional e não por ambientes desta mesma unidade habitacional, o que nos deu margem a esta dúvida.

No entanto, o OrçaBIM é uma ferramenta onde podemos, muito rapidamente, checar as duas hipóteses e até uma terceira que é como faço: o critério de considerar, em um pavimento tipo, por exemplo, como as paredes são realmente construídas – afinal, o BIM não é uma construção virtual? Explico melhor: é comum, após marcarmos as alvenarias de um pavimento em construção, com sua primeira fiada junto ao piso, fazermos os fechamentos das paredes periféricas de todo o pavimento, com algumas paredes internas bem posicionadas, para contraventamentos, visando uma certa proteção de tal pavimento, em serviço, quanto à chuva, por exemplo.

Assim, fizemos, com nossas ferramentas BIM preferidas, rapidamente, 3 modelos, de um pavimento tipo de estudos, conforme as figuras seguintes (as paredes com e sem vãos estão em cores diferentes – veremos, posteriormente, como produzir este efeito, provisório, no modelo).

Primeiro as paredes com vãos (em azul) e sem vãos (em vermelho), divididas por ambiente, que foi a primeira hipótese apresentada:

Figura 4 – Paredes marcadas por ambiente.

Para esta primeira hipótese (paredes separadas e marcadas por ambientes), vejamos os resultados obtidos para as quatro composições de custos, pelo OrçaBIM, com as composições pertinentes do SINAPI.

O modelo em estudo possui paredes em alvenaria de blocos cerâmicos em todos os cômodos dos apartamentos e paredes em blocos de concreto no entorno do conjunto de elevadores/escada.

paredes divididas
Figura 5 – Paredes separadas por ambientes – custo total pelo OrçaBIM.

Podemos notar que, com o critério de considerar as paredes divididas por ambientes (nossa primeira hipótese), o valor total para o item de paredes ficou em R$ 85.557,30 para o modelo do pavimento tipo de estudos.

Vamos agora considerar, como segunda hipótese, que as paredes sejam divididas por unidades habitacionais (critério sugerido pelo SINAPI na publicação da Figura 3). Na Figura 6, poderemos ver o nosso modelo de estudos com as paredes marcadas para tal hipótese.

Valor total encontrado para a nossa segunda hipótese: R$ 83.895,06 como poderemos constatar na Figura 7 abaixo:

Figura 6 – Paredes separadas por unidades habitacionais – custo total pelo OrçaBIM.
Figura 7 – Paredes marcadas por unidades habitacionais.

A terceira e última hipótese, como já descrito, será para a consideração das paredes de uma forma que chamei de “modelagem intuitiva”, levando em consideração minha experiência de obras deste porte e a sequência como normalmente as paredes são executadas, já que a modelagem BIM pretende ser uma construção virtual.

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paredes de modelagem
Figura 8 – Paredes marcada em uma modelagem intuitiva – considerando a sequência normal da obra.  
modelagem intuitiva
Figura 9 – Paredes considerando a modelagem intuitiva – custo total pelo OrçaBIM  

Desta forma, para esta terceira hipótese, considerando a modelagem executada como na sequência de execução da obra, chegamos a um valor de R$ 83.803,79 para os itens orçados pelo OrçaBIM.

Notem que a hipótese de considerar a marcação das paredes por unidade habitacional e a hipótese pela sequência intuitiva (que considera uma sequência de modelagem parecida com a que será executada na construção das alvenarias na obra), apresentaram valores quase idênticos, o que nos leva a crer que a proposição do SINAPI na publicação relatada na Figura 3 acima, neste artigo, seria mais conveniente, pelo menos para este tipo de modelo de pavimento tipo que estudamos.

Um outro ponto importante, no entanto, é sobre a consideração nos orçamentos com base no SINAPI, de utilizarmos as composições chamadas de representativas dos quatro grupos de critérios, para que se utilize apenas uma composição para cada grupo tipológico.

Na Figura 1, do início deste artigo, podemos notar em que percentual cada uma das quatro composições contribuiu para a composição representativa. Vamos comparar estes percentuais do SINAPI com o resultado dos quantitativos encontrados pelo OrçaBIM, na Figura 10 abaixo:

tabela de descrição
Figura 10 – Comparação percentual entre as composições unitárias da composição representativa , no modelo estudado e na publicação do SINAPI.  

A conclusão que chegamos é de que a sugestão da publicação do SINAPI para consideração da divisão das paredes de alvenaria pelas unidades habitacionais, para classificá-las quanto aos critérios de medição, é precisa e que as composições representativas (aquelas que agregam percentuais para as 4 composições que as compõe) devem ser utilizada com cautela, dependendo da tipologia do projeto; devemos preferir a utilização das 4 composições de cada grupo e checar, em cada projeto, seus reais quantitativos.

Como última observação, relato que este estudo, no OrçaBIM, foi executado de forma muito rápida, pois os critérios para as pesquisas de quantitativos já estavam gravadas no Template Orçamental criado e, assim, o mesmo template foi utilizado para as três hipóteses, mudando apenas os modelos.

Minha frase preferida é, como já escrevi em outro artigo: “Com o OrçaBIM o orçamento fica pronto antes do modelo; basta vincular o modelo ao Template Orçamental e a “mágica” acontece!”

No próximo artigo vou mostrar os critérios deste template citado para paredes de alvenaria: como as paredes com e sem vãos foram distinguidas pelo OrçaBIM e também como o critério tendo como base os 6m², todos estabelecidos pelo SINAPI, foram utilizados.

Até lá!

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foto: Dionisío Souza

DIONÍSIO AUGUSTO AMERICANO DE NEVES E SOUZA

Engenheiro Civil, com 36 anos de experiência em engenharia estrutural, possui várias especializações na área de estruturas e pós-graduação em Gestão Empresarial.

Atuou como diretor técnico e sócio de construtora com sede no Rio de Janeiro, por 15 anos.

Exerceu a função de professor universitário, coordenador de Escritório Modelo de projetos, coordenador de curso e diretor de Centro Universitário particular no Rio de Janeiro (1999-2009).

Trabalhou como estagiário e assumiu a função de engenheiro calculista estrutural no escritório de projetos do Professor Francisco Ney Lèbre e Azevedo Pondé (UFRJ) e depois em empresa própria, a Proger Engenharia Ltda, desde 1999 até esta data.


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