Precisão de quantitativos, qual precisão exigir?

Precisão de quantitativos, qual precisão exigir?

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O propósito deste artigo é estabelecer pontos de reflexão sobre o grau de precisão nos quantitativos que tem sido exigido nos projetos em BIM.

Eu trabalhei muitos anos na indústria têxtil, trabalhando com máquinas com necessidade de ajustes mecânicos de extrema precisão, eventualmente da ordem de fração de milímetros, situações onde a diferença de tempo para produzir um item, minutos, eventualmente segundos poderiam significar prejuízo ou perda de mercado, lembrem-se que o maior concorrente do setor têxtil são países de mão de obra abundante na época e custos produtivos muito baixos. Ao me deparar com os processos da construção civil vi um cenário completamente diferente, margens de desperdício muito grandes e erros e atrasos de processo eventualmente custosos que em geral não são considerados ou contabilizados.

Fabio Sato Eng. Eletricista

Ao iniciar o uso do Revit e posteriormente compreender o processo do BIM, fui me deparando com algumas demandas que me geraram alguns questionamentos, e conversando com amigos mais experientes, entre eles, Tiago Ricotta, Wagner Conde e Décio Ferreira, comecei a ver que meu questionamento não era uma exclusividade minha.

O primeiro questionamento que surgiu foi, qual a precisão de quantitativo para determinado item? Para esclarecer esta dúvida inicial, primeiro procurei conhecer qual a metodologia prévia e qual a aceitação desta metodologia? Depois procurei conhecer o processo de execução, como este material é consumido, qual o grau de controle sobre o consumo dele? A partir destas informações tirei algumas conclusões:

  • Se o modelo me entrega, sem trabalho adicional um erro de 5%, e o processo construtivo tem um erro de 10%, por que tenho que aumentar a margem de precisão?
  • Se o processo construtivo tem uma margem de erro de 5%, e o modelo me entrega um erro de 10%, o ajuste para a precisão de 5% é válido.

O segundo questionamento foi a necessidade de detalhar elementos no modelo visando atingir um grau de precisão desejado, os questionamentos que surgirão foram:

  • Se o uso de índices oferecia quantitativos válidos no processo anterior, por que utilizá-los não é mais válido?
  • Normalmente esse ajuste do modelo para atender estas demandas, normalmente geram horas de trabalho adicional, o cliente valoriza estas horas? Ele reconhece o valor agregado? Se reconhece, está disposto a remunerar este esforço extra? Como exemplo desta situação faço a analogia na compra de um carro, porque alguém paga mais por uma Mercedes em não por um Palio, se os dois tem 4 rodas, um volante, motor e te leva aonde você quer?
  • Outro ponto a ser levantado, mesmo que o cliente não pague a mais por este detalhamento extra, isso vai demandar mais tempo de projeto, diretamente ou indiretamente, qual é o custo do prazo de entrega para o cliente? Quanto custa atrasar a entrega do projeto em uma semana? Normalmente ninguém avalia isso. Só para esclarecer, normalmente projetos com detalhamento adicional torna os arquivos maiores, isso pode gerar atrasos em diversas situações, desde o tempo de envio/recebimento de arquivos ao uso dos mesmos, como o uso destes arquivos por toda a cadeia de projeto, que provavelmente irá gerar pequenos atrasos, que acumulados podem se tornar relevantes.

A partir do segundo questionamento surgiu um terceiro, este bem recente, que é a disponibilidade de um modelo para gerar orçamentos parciais, atualmente existem diversos softwares, OrçaFascio entre eles, que permitem fazer orçamentos de maneira bem ágil a partir dos modelos recebidos, numa implantação que trabalhei, passou a ser possível extrair o quantitativo a cada entrega, isso gerou a seguinte questão:

  • Caso se possa trabalhar com modelos menos trabalhados para orçamento, em fases preliminares de desenvolvimento, o uso de índices permitiriam extrair quantitativos com assertividade válidas para gerar um custo com erro de vamos supor 20%, eventualmente pode ser menos, neste cenário, a cada entrega poderia se verificar a evolução do custo, através de análises estatísticas poderia se verificar a curva de tendência do custo, permitindo prever um eventual estouro de orçamento e revisar o projeto antes que ele chegue na fase final. Qual o valor desta decisão antecipada?

Outro questionamento que surgiu, é qual o custo do erro em relação ao valor total do orçamento?

  • Eventualmente por limitação do software ou do processo do projetista, pode acontecer que a extração de quantitativo não seja precisa, porém o erro não é significativo em valor. Por exemplo, um erro de modelagem onde duas extremidades de duas placas de Drywall se sobrepõe, ao levantar o valor do material computado a mais seja irrelevante para o orçamento, vamos supor um valor de R$100,00 por pavimento, em 10 pavimentos, totalizando R$1.000,00 numa obra cujo valor total seja R$10.000.000,00, representando um erro de 0,01%
  • Para corrigir o problema a equipe de arquitetura irá gastar, por exemplo 10 horas de trabalho, a um custo de R$1.500,00. O tempo corresponde a um dia de atraso na entrega do projeto, quanto custa o atraso face ao valor?

Tenho perguntado a diversas pessoas na cadeia de projetos e construção sobre o custo do erro de projeto, normalmente não existe a medição, e quando ela existe, basicamente contempla o material, porém um fator muito menosprezado na construção civil é o custo do tempo, e entendo que é um critério extremamente difícil de avaliar, devido à baixa repetitividade dos processos e a falta de parâmetros comparativos. Na produção de uma peça que custa R$ 1,00 e leva 1 minuto para fazer, é muito simples avaliar o impacto do processo no tempo, na construção civil os processos não têm muito controle, comparado com a indústria metal mecânica, por exemplo, quanto de argamassa é feita a mais para garantir a execução da atividade, a sobra é reutilizada ou descartada, qual o custo do descarte?

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Estes questionamentos devem ser avaliados caso a caso e levados em consideração olhando o processo de forma macro, e não numa aplicação específica. Mais uma vez, estou trazendo uma visão de quem trabalhou em processos de produção em massa para o processo da construção civil, porém na fase de projeto, temos várias tarefas que acontecem ou se repetem múltiplas vezes no desenvolvimento deles, dessa forma, acredito que esta visão seja aplicável em diversas situações.

Tenho usado uma frase para expressar meus questionamentos, alguém corre 50Km para terminar uma maratona? Será que o esforço corresponde ao resultado?


Precisão de quantitativos, qual precisão exigir?

Fabio Sato, engenheiro Eletricista formado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), trabalha na Filippon Engenharia, ocupa o cargo de BIM manager (gerente BIM) desde 2013, é responsável pela gestão e implantação do processo na empresa. No final de 2017 trabalhou no Qatar, coordenando equipes de modeladores em 3 países diferentes, para gerar os documentos de execução da obra do estádio de Al Bayt (Qatar), onde serão realizados os jogos da Copa do Mundo de Futebol em 2022.

Como consultor, ministra treinamentos presenciais e à distância, apoia empresas no estudo e otimização de seus processos internos e na implantação do conceito BIM utilizando o programa Revit da Autodesk. É autor do livro Revit Mep 2015-Criando Templates Para Projetos Elétricos e curso de famílias pela PluralSight.

Faz parte do programa Expert Elite da Autodesk, oferecendo suporte a usuários de pro-gramas Autodesk nas páginas de discussão (fóruns) da mesma. Participa também de testes das fases preliminares das novas versões (beta tester). É “Profissional Certificado Autodesk” e “Instrutor Autorizado Autodesk”.

Palestrante no Autodesk University Brasil de 2014 a 2016, além de outros eventos pre-senciais em Porto Alegre, Londrina e Curitiba e através da internet como o CONBIM. Participou como atendente ao Autodesk University Las Vegas nos anos de 2014 e 2015.


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