O mercado de materiais de construção civil em 2017

O varejo de materiais de construção não está imune, como qualquer outro setor econômico, aos efeitos da crise política e econômica que flagela o Brasil desde 2015. Na verdade, pela primeira vez no século XXI, o setor registrou retração por dois anos consecutivos.

Os revendedores de materiais de construção dependem, evidentemente, do consumo, que é um indicador em queda, solapado pelo crescimento do desemprego – foram cerca de 3 milhões de novos desempregados em 2016 em relação a 2015 –, pela queda de mais de 2% no poder de compra das famílias e pela falta de confiança no futuro, que impede o consumidor de se aventurar em voos longos, que exigem planejamento e segurança.

Mudança de comportamento do consumidor

O consumidor, de um modo geral, vem evitando financiamentos e prestações. O foco está no pagamento das dívidas e no consumo de gêneros de maior necessidade. O supérfluo, pelo menos até segunda ordem, saiu da agenda do consumidor, que se tornou conservador. Melhor manter os pés no chão do que ser abatido em pleno voo.

Esse comportamento se reflete na nova conduta do consumidor com relação ao consumo de materiais de construção. Pesquisa da Data Mkt Construção, sistema de compartilhamento de inteligência de mercado financiado por grandes empresas do segmento de varejo de material de construção, identificou um alinhamento do consumidor desse segmento com o consumidor em geral.

No ano de 2014 foi identificado que 70,4% dos consumidores que compravam materiais de construção tinham como finalidade conferir ganhos estéticos às suas residências. Em 2016, ainda que a maioria dos consumidores pensem em deixar a casa mais bonita para receber os convidados, esse indicador caiu para 57,2%. Em compensação, aumentou o índice dos que pensam em obter ganhos funcionais com as reformas, como conforto para a família.

Em outras palavras, o efeito da crise no comportamento dos consumidores, de um modo geral, foi dar origem a um ator mais pragmático dentro do cenário das relações econômicas.

Um dado positivo de consumo

Nem tudo, porém, são notícias ruins ou, pelo menos, intrigantes, no mundo do varejo de materiais de construção. A Data Mkt Construção identificou que o segmento das reformas estruturais se manteve estável entre 2014 e 2016, respondendo por entre 40 e 41% das vendas do setor.

A explicação não exige maior ciência. As reformas estruturais são aquelas que, exceto definitivamente não haja dinheiro, não podem esperar, pois afetam a rotina e a qualidade de vida das famílias. São problemas como infiltrações, rachaduras na parede, tacos e azulejos soltos ou descolados, problemas hidráulicos ou elétricos, por exemplo.

O cruzamento dessa informação com a queda do consumo mais voltado para a estética, em torno de 13%, no mesmo período, talvez explique não só os dois anos de retração das vendas do setor, mas também os dados de mercado.

Pior crise desde 2005 e esperança de retomada

O setor de varejo de materiais de construção reconhece que vive a maior crise, pelo menos desde 2005. Fechou 2016 com queda de 6% nas vendas em relação a 2015 – lembrando que foi o segundo ano de retração.

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Apesar disso, há um dado que pode ser reconfortante. O desempenho do setor apresentou melhora de 4% no segundo semestre de 2016 em relação ao mesmo período de 2015. Pode ser um sinal de recuperação ou reacomodação, mas o importante é que a recuperação ocorreu sem que houvesse medidas governamentais de incentivo, diferente do que vem acontecendo em 2017.

As lojas de material de construção, entre janeiro e maio, apresentaram uma alta de 6% nas vendas. Só em maio, o crescimento foi de 5%, ainda que, ampliando a lente para os últimos 12 meses, tomando o mesmo mês de maio como base, o setor tenha registrado uma queda de 6%.

O que oferece alívio, também é motivo para preocupação. Segundo o presidente da Anamaco (Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção), Cláudio Conz, a melhora da performance em vendas foi alavancada pela liberação do saldo das contas inativas do FGTS. Segundo dados do IBGE, uma fatia de cerca de R$ 594 milhões acabou indo para os gastos com material de construção, provavelmente para satisfazer uma demanda reprimida pela crise.

O problema todo é que a fonte é passageira e será preciso que a economia ofereça novos incentivos. Apesar disso, 54% dos logistas acreditam que as vendas continuarão crescendo em julho, mas não é sem razão. Em março, foi aprovada a MP que libera o subsídio de 20% para compra de materiais de construção para famílias com renda mensal de até R$ 2,8 mil. Além disso, o setor ganhou o incentivo da volta do Construcard, um sistema que financia compras de material de construção em até 240 meses, com débito das parcelas em conta corrente e política de juros bastante amigável, alinhada a baixo risco.

Não é de se estranhar que a previsão otimista de crescimento de 5% para todo o ano, por parte do setor, tenha se transformado em crescimento de 6% em apenas cinco meses, mas a questão é saber se isso se manterá com o fim dos efeitos da liberação do saldo do FGTS.

Os números anteriores a março indicam que não. Em fevereiro, a queda foi de 15% em relação ao mesmo mês de 2015 e de 2,7% em relação ao mês anterior. Em janeiro, apesar do crescimento de 1,5% em relação a dezembro, a retração em relação a janeiro de 2016 era de 8,9%. Sem o “fator variável FGTS”, a previsão era de retração de 6% no primeiro semestre. O resultado real foi crescimento de 4%, divulgado pela Anamaco – muito melhor que as estimativas do começo do ano, mas já registrando queda no mês de junho.

Retomada do crescimento econômico é o melhor caminho

Chega a ser redundante, mas o caminho para o setor de material de construção é o mesmo almejado por todos os outros, qual seja a retomada do crescimento econômico.

Políticas esporádicas ou sazonais podem ser comemoradas, mas o ideal é que uma nova estrada segura seja construída para a economia, com a retomada do emprego, do poder de compra, do crédito e da confiança do brasileiro.

De outra forma, caberá ao varejo de material de construção ocupar e defender posição, enquanto investe no binômio “menores estoques X maior mix de fornecedores” para controlar os custos e administrar a escassez.

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